sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Atores Coadjuvantes



Robin, a bola Wilson, A Coisa da Família Adans e os pais... estamos unidos por um fator até certo ponto desagradável: somos atores coadjuvantes! Assim como as atenções estão voltadas todas para o Batman, para o próprio náufrago Tom Hanks e os demais seres fantasmagóricos da família Adams, os pais são relegados a uma segunda categoria pela única razão das atenções estarem todas voltadas a elas, as mães.

Concordo que todos os sofrimentos também estão com elas, pois os efeitos da gravidez são sentidos por elas. Essa semana li que a gravidez envolve alguns poucos segundos de prazer para o pai e nove meses de sofrimento para a mãe (Peter Downey). Por essas e outras é claro que elas merecem uma posição de destaque, mas precisa tanto?

O homem tem algumas funções importantes no período gestacional: informar a todos o estado da mulher, carregar coisas, correr atrás das vontades (comecei isso nessa madrugada) e passar o seu cartão de crédito após as escolhas dela.

O que me deixa plenamente satisfeito é que Robin sempre estava ao lado do Batman em suas missões, Wilson foi o fiel escudeiro do Hanks e A Coisa divertia toda a família. Como nesses casos, mesmo sendo coadjuvante, o pai sempre está ao lado dela, e acima de tudo, feliz por poder ser coadjuvante desse filme maravilhoso do milagre da vida. É bom ser coadjuvante!

PS.: Dica de postagem do também marujo de primeira viagem, Fagner Castilho.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Clichê



Tenho muitas dificuldades em aceitar discursos, textos ou qualquer outra coisa do gênero que contenham clichês. Esses inimigos da criatividade soam em meus ouvidos como uma britadeira em um domingo às seis da manhã... algo terrível! Mas conforme a postagem “Efeitos Colaterais”, a gravidez está produzindo algumas quebras de paradigmas e estou me rendendo a um desses clichês envolvidos na gravidez.

Sempre ouvi falar que quando uma pessoa tem um filho ela está mais apta a entender o amor de Deus. Essa frase se tornou em meus ouvidos um clichê justamente pela sua repetição; mas nesses últimos dias se transformou em constatação.

Nesse último final de semana tivemos um susto com a gravidez, e pela primeira vez passou na minha mente a possibilidade de não termos mais o bebê conosco. Isso me rendeu uma noite toda sem dormir, com terrível azia e sentimento de total impotência. O dia raiou, e com ele a certeza de que estava tudo bem! Ufa!

Mas ao voltar para casa fiquei pensando justamente no clichê, e fui forçado pelas minhas próprias evidências a acreditar nele! Parei para analisar o que me levava a não querer perder esse bebê, e a resposta única que encontrei foi o amor que temos por ele. Mas por que o amamos? Essa é uma pergunta cuja resposta a razão não é capaz de nos fornecer. Como podemos amar alguém que não pode demonstrar sentimentos? Como podemos amar alguém que não pode nos abraçar, tocar ou beijar? Como podemos amar alguém que não temos ideia de como seja? Como podemos amar alguém tão pequeno, mas que sei me fará passar noites sem dormir?

Não sei responder nenhuma desses questionamentos, só sei que o amamos a tal ponto de não conceber a ideia de perde-lo. Do mesmo modo, entendendo melhor o amor de Deus por sua humanidade, tão ínfima e incapaz de retribuir esse amor, mas alvo constante de demonstrações desse sentimento.

Não sei se você aprecia os clichês, mas acredite, esse é verdade!



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Constatação



Não poderia deixar de escrever nesse momento pós-primeira eco, ainda saboreando a euforia dessa etapa. A ideia é que agora temos certeza que estamos esperando um bebê; não que antes não a tivéssemos, mas acho que precisamos ver para crer, mais ou menos como o Tomé da Bíblia.

Na realidade não vemos muita coisa, e é exatamente nesse ponto que diferencio daquele que na Bíblia ficou conhecido por sua aparente incredulidade. O que vemos é algo mais parecido com uma impressão digital do que com um bebê propriamente dito. Mas pela fé acreditamos que aquele é uma parte sua, tão indescritível quanto emocionante.

Tentar descrever o que senti quando ouvi o coraçãozinho de um ser com 9mm batendo é quase que impossível com as palavras. De repente percebo que as lágrimas enchem meus olhos e começam a rolar, totalmente involuntárias, quase que intrusas, não fosse a beleza e singularidade dessa ocasião.

Diante de tudo isso, não há como negar, serei papai!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Efeitos Colaterais



Uma das principais questões da gravidez está relacionada com os "efeitos colaterais" envolvidos nesses nove meses. Os efeitos são tantos que talvez fosse necessário um blog apenas para tratar desses "intrusos" inseparáveis. Os efeitos mais comuns estão relacionados à enjoos, mudanças no corpo, oscilação no humor, etc, etc, etc...

No entanto, não são apenas as mulheres que experimentam tais efeitos. Tenho notado também ser vítima deles, mudando algumas coisas em minha vida, rotina e percepções. Poderia destacar alguns efeitos, mas vou apenas falar da parte mais afetada pela gravidez até agora: a visão.

Sim! A visão é o sentido mais afetado até agora. Mas não se trata da perda ou dificuldade de ver, e sim as coisas que começo a enxergar. Até a descoberta da gravidez, as lojas do shopping destinadas ao público grávido simplesmente não eram vistas! Poderia passar por uma centena delas que não iria notar. Mas tudo mudou!  Não apenas posso enxergar uma loja, mas começo a procurá-las, desprezando as até então hors concours livrarias e lojas de roupas sociais. Agora, as anteriormente desprezadas brilham mais que as decorações natalinas!

Além das lojas, outra mudança é a maneira como algumas coisas estão sendo vistas. Vou dar um exemplo: quem se alegra em ganhar um par de meias? Alguns poucos, pouquíssimos talvez. Mas agora, ao ganhar alguns pares de meias de não mais de 15 cm os olhos brilham e o sorriso espontaneamente surge no rosto, inexplicavelmente.

Mas a principal mudança na visão é a maneira como vejo o futuro. Todos os planos, sonhos, aquisições e programas têm uma "nova variável": alguém que hoje tem cerca de 4mm, do tamanho de um grão de lentilha. Tudo é em função dessa pessoa desconhecida, que não sabemos ser menino ou menina, mas já faz parte de todos os prognósticos futuro. Tudo gira em torno dele/a, nos deixando em um plano secundário, terciário.... Acho que uma das maiores contribuições da gravidez seja a cura de uma miopia que me levava a ver apenas a mim mesmo!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O início


É difícil fazer uma descrição do que estou sentindo nessa que é apenas a sexta semana de gravidez. Ainda há uma estranha combinação de euforia e incredulidade, de desconfiança, curiosidade e felicidade. É como se estivesse anestesiado, sem saber ao certo o que sentir ou pensar. Mas um fato acaba sendo inquestionável: Estamos grávidos!

Creio que tudo isso esteja acontecendo justamento por envolver um pai de primeira viagem. Mesmo assim, acredito que essa seja uma etapa da vida que mereça ser vivida da forma mais intensa, mesmo que em seus momentos de absurda falta de palavras para ser descrita. Por isso ingresso hoje nessa viagem de escrever as impressões de cada uma das etapas, sensações, momentos inusitados e tudo mais que cerca essa nova fase da nossa vida, a gravidez!