Tenho muitas dificuldades em aceitar discursos, textos ou
qualquer outra coisa do gênero que contenham clichês. Esses inimigos da
criatividade soam em meus ouvidos como uma britadeira em um domingo às seis da
manhã... algo terrível! Mas conforme a postagem “Efeitos Colaterais”, a
gravidez está produzindo algumas quebras de paradigmas e estou me rendendo a um
desses clichês envolvidos na gravidez.
Sempre ouvi falar que quando uma pessoa tem um filho ela está mais apta a entender o amor de Deus. Essa frase se tornou em meus ouvidos um clichê justamente pela sua repetição; mas nesses últimos dias se transformou em constatação.
Nesse último final de semana tivemos um susto com a
gravidez, e pela primeira vez passou na minha mente a possibilidade de não
termos mais o bebê conosco. Isso me rendeu uma noite toda sem dormir, com
terrível azia e sentimento de total impotência. O dia raiou, e com ele a
certeza de que estava tudo bem! Ufa!
Mas ao voltar para casa fiquei pensando justamente no
clichê, e fui forçado pelas minhas próprias evidências a acreditar nele! Parei
para analisar o que me levava a não querer perder esse bebê, e a resposta única
que encontrei foi o amor que temos por ele. Mas por que o amamos? Essa é uma pergunta
cuja resposta a razão não é capaz de nos fornecer. Como podemos amar alguém que
não pode demonstrar sentimentos? Como podemos amar alguém que não pode nos abraçar,
tocar ou beijar? Como podemos amar alguém que não temos ideia de como seja? Como
podemos amar alguém tão pequeno, mas que sei me fará passar noites sem dormir?
Não sei responder nenhuma desses questionamentos, só sei que
o amamos a tal ponto de não conceber a ideia de perde-lo. Do mesmo modo,
entendendo melhor o amor de Deus por sua humanidade, tão ínfima e incapaz de
retribuir esse amor, mas alvo constante de demonstrações desse sentimento.
Não sei se você aprecia os clichês, mas acredite, esse é verdade!

Real e absoluto Pastor.
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