terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Saudade



Como a maioria dos sentimentos a saudade é difícil de ser conceituada. Todos já sentimos em algum momento e quando ouvimos alguém falar que está tendo a companhia desse sentimento sabemos exatamente do que se trata. Em termos muito simples, saudade é o sentimento de falta de alguém.

Mas o que estou sentindo agora é difícil de ser descrito. Estou em um concílio, longe de casa, portanto. Estou com saudades da Aline, do ambiente de casa, mas principalmente da Lívia. Tudo estaria normal, não fosse o fato de estar com saudades de alguém que nunca vi antes. Seria isso normal?

Não sei explicar, mas talvez Pablo Neruda estivesse se referindo a um momento semelhante ao afirmar que “Saudade é amar um passado que ainda não passou”.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O tempo parou...




Sensação absurdamente desagradável é aquela do tempo parado. Seja por um dia de ociosidade, situação de perigo ou suspense ou até mesmo uma apresentação não tão atraente de ser assistida faz com que os ponteiros do relógio andem a passos de tartaruga.

É isso que estou sentindo com a gravidez. Sei que são precisas todas as 40 semanas para formação do bebê, mas elas precisavam ser tão longas? Deparo-me com comentários do tipo “Passa muito rápido” aos montes. Desculpem amigos, mas não é isso que estou sentido. O que eu estou sentindo mesmo é um tempo que não passa, e um mês de julho absurdamente distante.

Sei que isso é fruto da ansiedade de ver a Lívia nascer e tê-la em meus braços o mais rápido possível, e que esse tempo deve ser aproveitado como único, mas o fato é que ele não está passando. E enquanto ela não chega eu sonho, já que sonhando com ela o tempo passa um pouquinho mais rápido.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Expectativa




Tenho constatado que o período da gravidez é caracterizado pela expectativa. Esse sentimento estranho e gostoso, que me deixa aflito e fazendo prognósticos, tem sido meu parceiro desde os primeiros dias de novembro.

Primeiro foi a expectativa da constatação. Fizemos quatro testes de farmácia e a expectativa sobre a possibilidade da gravidez nos assaltava. Somente concluímos a gravidez diante do derradeiro teste do laboratório, mas a tal doença da expectativa só estava começando.

Veio então a expectativa da primeira consulta, da primeira ultrassom, dos primeiros remédios, dos planos para o futuro. Veio um pequeno sangramento, e junto a expectativa de estar tudo em ordem com o bebê.

Agora vem uma das maiores perguntas de uma gravidez: será menino ou menina? Tentaremos saber hoje, mas já temos a nossa companheira expectativa dando suas caras. Ainda não sabemos o que é, mas com a experiência dessas primeiras treze semanas sei com certeza que essa não será a ultima visita da tal expectativa.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Paciência




Gosto de pensar a paciência como uma virtude que se desenvolve no decorrer de toda a vida. Feliz ou infelizmente, ela é desenvolvida no rio da vida com situações em que é exigida como a única saída, circunstâncias as mais estressantes possíveis.

Quer desenvolver paciência? Fique grávido! Tenho descoberto que essa é uma das melhores maneiras de desenvolver a tal paciência. Somos expostos quase que diariamente a situações em que ela é exigida, e não há outra forma de sobreviver a essas situações se não for pela paciência.

São pedidos de comida em plena madrugada, variações de humor, desejos incontidos, vontades antes nunca tidas, emoções a flor da pela, etc, etc, etc, nas quais a única maneira de sobreviver é tendo paciência, e uma boa medida dela (uma delas no momento em que escrevia esse post...rsrs).

Paciência deriva do latim, e quer dizer suportar, aguentar ou sofrer junto. A paciência aplicada a gravidez sugere que não são apenas as mulheres que sofrem com as agruras desse período, mas nós, os grávidos, com paciência, sofremos juntos!

Creio que a paciência desenvolvida na gravidez é algo que não aprenderia de outra forma. Por isso vejo todas essas situações sob uma ótica positiva, pois essa virtude desenvolvida ao longo desses 9 meses vai me acompanhar por toda a vida. Creio que Franklin estava certo ao dizer que “Aquele que tiver paciência terá o que deseja”.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Atores Coadjuvantes



Robin, a bola Wilson, A Coisa da Família Adans e os pais... estamos unidos por um fator até certo ponto desagradável: somos atores coadjuvantes! Assim como as atenções estão voltadas todas para o Batman, para o próprio náufrago Tom Hanks e os demais seres fantasmagóricos da família Adams, os pais são relegados a uma segunda categoria pela única razão das atenções estarem todas voltadas a elas, as mães.

Concordo que todos os sofrimentos também estão com elas, pois os efeitos da gravidez são sentidos por elas. Essa semana li que a gravidez envolve alguns poucos segundos de prazer para o pai e nove meses de sofrimento para a mãe (Peter Downey). Por essas e outras é claro que elas merecem uma posição de destaque, mas precisa tanto?

O homem tem algumas funções importantes no período gestacional: informar a todos o estado da mulher, carregar coisas, correr atrás das vontades (comecei isso nessa madrugada) e passar o seu cartão de crédito após as escolhas dela.

O que me deixa plenamente satisfeito é que Robin sempre estava ao lado do Batman em suas missões, Wilson foi o fiel escudeiro do Hanks e A Coisa divertia toda a família. Como nesses casos, mesmo sendo coadjuvante, o pai sempre está ao lado dela, e acima de tudo, feliz por poder ser coadjuvante desse filme maravilhoso do milagre da vida. É bom ser coadjuvante!

PS.: Dica de postagem do também marujo de primeira viagem, Fagner Castilho.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Clichê



Tenho muitas dificuldades em aceitar discursos, textos ou qualquer outra coisa do gênero que contenham clichês. Esses inimigos da criatividade soam em meus ouvidos como uma britadeira em um domingo às seis da manhã... algo terrível! Mas conforme a postagem “Efeitos Colaterais”, a gravidez está produzindo algumas quebras de paradigmas e estou me rendendo a um desses clichês envolvidos na gravidez.

Sempre ouvi falar que quando uma pessoa tem um filho ela está mais apta a entender o amor de Deus. Essa frase se tornou em meus ouvidos um clichê justamente pela sua repetição; mas nesses últimos dias se transformou em constatação.

Nesse último final de semana tivemos um susto com a gravidez, e pela primeira vez passou na minha mente a possibilidade de não termos mais o bebê conosco. Isso me rendeu uma noite toda sem dormir, com terrível azia e sentimento de total impotência. O dia raiou, e com ele a certeza de que estava tudo bem! Ufa!

Mas ao voltar para casa fiquei pensando justamente no clichê, e fui forçado pelas minhas próprias evidências a acreditar nele! Parei para analisar o que me levava a não querer perder esse bebê, e a resposta única que encontrei foi o amor que temos por ele. Mas por que o amamos? Essa é uma pergunta cuja resposta a razão não é capaz de nos fornecer. Como podemos amar alguém que não pode demonstrar sentimentos? Como podemos amar alguém que não pode nos abraçar, tocar ou beijar? Como podemos amar alguém que não temos ideia de como seja? Como podemos amar alguém tão pequeno, mas que sei me fará passar noites sem dormir?

Não sei responder nenhuma desses questionamentos, só sei que o amamos a tal ponto de não conceber a ideia de perde-lo. Do mesmo modo, entendendo melhor o amor de Deus por sua humanidade, tão ínfima e incapaz de retribuir esse amor, mas alvo constante de demonstrações desse sentimento.

Não sei se você aprecia os clichês, mas acredite, esse é verdade!



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Constatação



Não poderia deixar de escrever nesse momento pós-primeira eco, ainda saboreando a euforia dessa etapa. A ideia é que agora temos certeza que estamos esperando um bebê; não que antes não a tivéssemos, mas acho que precisamos ver para crer, mais ou menos como o Tomé da Bíblia.

Na realidade não vemos muita coisa, e é exatamente nesse ponto que diferencio daquele que na Bíblia ficou conhecido por sua aparente incredulidade. O que vemos é algo mais parecido com uma impressão digital do que com um bebê propriamente dito. Mas pela fé acreditamos que aquele é uma parte sua, tão indescritível quanto emocionante.

Tentar descrever o que senti quando ouvi o coraçãozinho de um ser com 9mm batendo é quase que impossível com as palavras. De repente percebo que as lágrimas enchem meus olhos e começam a rolar, totalmente involuntárias, quase que intrusas, não fosse a beleza e singularidade dessa ocasião.

Diante de tudo isso, não há como negar, serei papai!